desimpensavel http://fserb.posterous.com (qualquer idéia que resista) posterous.com Wed, 08 Feb 2012 11:14:00 -0800 things got pretty weird after realism http://fserb.posterous.com/things-got-pretty-weird-after-realism http://fserb.posterous.com/things-got-pretty-weird-after-realism

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Mon, 30 May 2011 21:46:00 -0700 Pílulas http://fserb.posterous.com/pilulas http://fserb.posterous.com/pilulas

Pildoras

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Sun, 27 Feb 2011 12:46:00 -0800 Milky Way http://fserb.posterous.com/milky-way http://fserb.posterous.com/milky-way

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Tue, 01 Feb 2011 04:39:00 -0800 ART THOUGHTZ: Post-Structuralism http://fserb.posterous.com/art-thoughtz-post-structuralism http://fserb.posterous.com/art-thoughtz-post-structuralism

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Mon, 15 Nov 2010 10:38:00 -0800 Se daqui a mil anos http://fserb.posterous.com/se-daqui-a-mil-anos http://fserb.posterous.com/se-daqui-a-mil-anos

Meus amigos daqui da Suiça não sabem o que é pobreza. Nunca viram. Tem uma dificuldade enorme de imaginar o que significa fome num contexto que não seja "tô com fome, vamos sair pra comer pizza?". Eles já viram na TV, de repente até na rua, e sinceramente acho que se esforçam pra ter a sensibilidade necessária. Mas não tem e não sabem.

X

Também não sabem o que é falta de educação, analfabetismo, exclusão social, preconceito de classe, nenhuma dessas palavras feias que teimam em denegrir a boa imagem da nossa nação. Outro dia eu disse pra eles que uma pessoa que trabalha ganhando menos de 1 dólar por dia está numa situação de escravidão, pois tem duas opções: morrer de fome, ou trabalhar 16h por dia pra ter agua semi-potável e eventualmente qualquer mínimo de alimentação. E essas não eram opções melhores do que as que um escravo tinha, e que ninguém nunca iria oferecer um trabalho melhor pra essa pessoa, porque a tal da mais-valia funciona, etc... (eles também nunca estudaram Marx no colégio e não sabem definir o que é socialismo nem capitalismo, a não ser a definição Fox News). Nisso, um amigo me interrompe: mas se é assim, ele pode abrir o seu próprio negócio, a não ser que exista um big-government que impeça ele de abrir um negócio. Ele pode abrir o seu próprio negócio. É esse o nível do desconhecimento, minha gente.

Muitas vezes nossas conversas acabam caindo no argumento da grande falácia natural. O argumento da falácia natural funciona assim: ao ser apresentado a qualquer grande injustiça causada pela sociedade o sujeito responde: olha, isso não tem nada a ver com o sistema, a natureza é que assim. Não é possível que todos tenham tudo e essa é a beleza do livre mercado, porque ele não deixa você artificialmente fingir que nós podemos ter o que na prática não podemos.

Z

Antigamente, a minha resposta à grande falácia natural era sair gesticulando como o Zizek e gritando: é, faz todo sentido mesmo! Porque se eu virar pra você agora e dizer que a gente tinha que tentar colonizar Marte, montar um elevador pra Lua, ou construir uma árvore que dá chocolate você vai me dizer que é só uma questão de tempo e de esforço, porque o intelecto humano é capaz de qualquer coisa e que muito do que temos hoje já foi considerado impossível. Mas no momento em que eu falo pra você que nós temos que acabar com a pobreza e a desigualdade, você me diz que não há nada a fazer porque isso é impossível e está muito além da capacidade humana. Então ok.

Gosto muito desse argumento. Mas outro dia, meio sem querer, acabei dizendo outra coisa no lugar. E queria compartilhar com vocês o que eu disse.

A minha nova resposta pra grande falácia natural é: amigo, eu venho de um lugar chamado Brasil. Um lugar que tinha quase 50 milhões de pessoas vivendo em situação de miséria absoluta e hoje tem menos de 13. E de quebra, durante o mesmo período, fizemos o PIB crescer mais que 5% ao ano, com gente comprando geladeira e fogão, sabe? Não teve bolo pra dividir, não teve nada de natural. O que tem é que quando o pior de nós melhora, todos melhoramos. O mundo não é o que é, o mundo é o que a gente faz dele. E dá pra fazer tanta coisa.

Eton-harrow

E foi aí que eu percebi o que eu percebi e corri pro computador pra escrever o que estou escrevendo.

A saída de 30 milhões de pessoas da miséria foi e é de uma importância social e humana gigantesca. E creio que com efeitos que se propagarão por décadas, alterando profundamente as vidas das pessoas do nosso país. Mas isso eu já sabia. O que eu percebi é que essa mudança é muito mais que isso.

Porque ela é também a idéia. É o argumento de que podemos fazer mais pelo mundo e que não estamos fatalmente presos dentro dessa lógica umbiguista-cínico-mercadológica. Que apesar de não termos as respostas e de ser preciso humildade pra reconhecer que as decisões nunca são óbvias, não podemos descartar as perguntas. A história não acabou. O que o Brasil fez não foi só um avanço humano, mas de certa forma foi também um avanço histórico.

Daqui a mil anos, quando nada mais for como é, acho que alguém vai lembrar disso. Durante uma aula maçante sobre história do século 21, eles vão aprender sobre o que a gente discutia e se perguntar "mas eles não viam o que ia acontecer?". E alguém vai perceber que a gente não tinha como saber, não estava claro, mas mesmo assim a gente intuía, hesitava, e devagarzinho fomos descobrindo. E acho que vai estar lá. Eu sei que vai estar lá. Talvez como um micro ponto, uma nota de rodapé, um "é por isso que vale a pena vir na aula desse cara, porque isso não tem no livro". Mas vai estar lá que a gente fez alguma coisa diferente. Que não era tudo igual e que a gente tentou e demos uma dentro pra história, sabe?

E alguém vai levantar a mão e perguntar "mas psor, isso também cai na prova?". Porque a gente tá começando a resolver a pobreza, mas ainda tem muito chão pra resolver a educação.

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Sat, 16 Oct 2010 09:32:00 -0700 Esfinge - Laerte http://fserb.posterous.com/esfinge-laerte http://fserb.posterous.com/esfinge-laerte

Aesfingelaerte1
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Wed, 06 Oct 2010 12:32:00 -0700 Lucifer e a legitimação do poder http://fserb.posterous.com/lucifer-e-a-legitimacao-do-poder http://fserb.posterous.com/lucifer-e-a-legitimacao-do-poder
Não há uma conduta que possa ser considerada crime ou mesmo imoral em qualquer cultura. Somente a desobediência à norma possui a universalidade necessária para tamanha popularização do mito. ... Lúcifer não foi um homicida serial, um sádico torturador ou um maníaco sexual. Nenhuma destas condutas o teria tornado o símbolo da maldade. Lúcifer desobedeceu a uma norma; desafiou o poder hegemônico; recusou-se a obedecer àquele que tudo vê, tudo sabe, tudo pode. É isso que faz dele o símbolo da maldade. ...

A rebeldia se transforma em maldade. Paralelamente a esta transformação simbólica do arquétipo da resistência em símbolo da maldade, ocorre também a transformação do arquétipo do controle no símbolo da bondade. Deus é bom, por inventar as normas. A bondade é corolário do poder, do saber e do ver.

O mito da queda de Lúcifer é a passagem simbólica que marca a invenção da ética nas sociedades ocidentais. O bem se confunde com o controle; o mal com a resistência. O mito de Lúcifer é também o mito da legitimação do poder.

(via Alex Castro

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Wed, 06 Oct 2010 11:19:38 -0700 E o tiririca, ein? - Laerte http://fserb.posterous.com/e-o-tiririca-ein-laerte http://fserb.posterous.com/e-o-tiririca-ein-laerte
Tvfolha

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Thu, 09 Sep 2010 06:15:39 -0700 we "big picture" people http://fserb.posterous.com/we-big-picture-people http://fserb.posterous.com/we-big-picture-people
Cosmic

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Mon, 30 Aug 2010 06:38:00 -0700 Things You Think - Pomplamoose, Ben Folds, Nick Hornby http://fserb.posterous.com/things-you-think-pomplamoose-ben-folds-nick-h http://fserb.posterous.com/things-you-think-pomplamoose-ben-folds-nick-h

Smoke your little smoke, drink your little drink, try to make sense of the things that you think.

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Fri, 23 Jul 2010 11:20:00 -0700 Pequena ponderação sobre a vida de m.s. http://fserb.posterous.com/pequena-ponderacao-sobre-a-vida-de-ms http://fserb.posterous.com/pequena-ponderacao-sobre-a-vida-de-ms

O pesadelo recorrente de perder todos os dentes deu lugar aos terrores da vida real. Acordar no meio da noite e limpar a testa encharcada de suor. Será que tranquei a porta? Não lembro de ter tirado a carteira do bolso e colocado na mesa, pode ser que eu a tenha perdido na rua. As fantasias que desfiguram a realidade dão lugar às fantasias de todo dia. Indistinguíveis e tão reais quanto essa janela e esses móveis. Virtuais como essa cidade em que chove o tempo todo mas em que tudo permanece estranhamente sujo.

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Thu, 15 Jul 2010 10:30:27 -0700 Mambembe - Chico Buarque e Roberta Sá http://fserb.posterous.com/mambembe-chico-buarque-e-roberta-sa http://fserb.posterous.com/mambembe-chico-buarque-e-roberta-sa

Dormindo na estrada, no nada, no nada
E esse mundo é todo meu
Mambembe, cigano
Debaixo da ponte
Cantando
Por baixo da terra
Cantando
Na boca do povo
Cantando

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Mon, 12 Jul 2010 14:04:00 -0700 Dance Monkeys Dance http://fserb.posterous.com/dance-monkeys-dance-0 http://fserb.posterous.com/dance-monkeys-dance-0

oldie but goodie.

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Sun, 04 Jul 2010 10:06:00 -0700 Não desapareça nunca, Maria Eduarda http://fserb.posterous.com/nao-desapareca-nunca-maria-eduarda http://fserb.posterous.com/nao-desapareca-nunca-maria-eduarda

Um elefante saiu correndo pelas ruas daqui da cidade. Ele vive no zoológico, mas ficou um tempo no circo. Disseram que ele estava distraido tomando banho bem na hora em que o circo foi embora, achou que tinham deixado ele pra trás e saiu correndo atrás dos outros elefantes. Não tem como eu ter inventado uma merda dessas, né? Então vocês vão ter que simplesmente acreditar em mim.

O inferno começa com uma casa de madeira no meio do mato infinito. Dentro da casa de só um cômodo sem janelas, há uma mesa e uma cadeira bamba. Sobre a mesa, uma faca e uma enorme fatia de panetone de chocolate onde é possível ver gotas de chocolate semi-derretidas. Ao se pegar a fatia do panetone e trazer à boca, as gotas de chocolate viram uvas passas e é possível se ouvir ao fundo uma risada. Olha-se novamente para a mesa e a faca desapareceu.

Apesar de tudo, ela novamente criou coragem, se apaixonou e disse olhando nos olhos dele: eu tava pensando que eu queria te dizer uma coisa que, enfim, agora, nesse momento, com as coisas que eu tô sentindo é como naqueles filmes antigos em que o mocinho vira pra mocinha e diz eu te amo. Ele jurou que entendeu, mas o amor não admite indireções.

Há quase sempre uma distância entre o que sentimos e o que gostariamos de estar sentindo. Por vezes, essa distância cresce por um espaço enorme, cria corpo e se instala em nós. A ela chamamos de solidão.

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Thu, 24 Jun 2010 04:40:00 -0700 Teenage Riot - Sonic Youth http://fserb.posterous.com/teen-age-riot-sonic-youth http://fserb.posterous.com/teen-age-riot-sonic-youth

Spirit desire, spirit desire, spirit desire. We will fall.

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Wed, 23 Jun 2010 02:25:08 -0700 José Saramago http://fserb.posterous.com/jose-saramago-27 http://fserb.posterous.com/jose-saramago-27

(via RS Urgente)

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Thu, 17 Jun 2010 06:49:25 -0700 personalized PhD Comics http://fserb.posterous.com/personalized-phd-comics http://fserb.posterous.com/personalized-phd-comics
Photo

(presente do meu melhor amigo do universo inteiro.)

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Thu, 10 Jun 2010 04:51:00 -0700 Verde-musgo, a morte e outras camuflagens http://fserb.posterous.com/verde-musgo-a-morte-e-outras-camuflagens-0 http://fserb.posterous.com/verde-musgo-a-morte-e-outras-camuflagens-0

Ele decididamente não estava pronto.

Muito tempo atrás percebeu que estava ficando velho. Convenceram-no de que precisava conquistar alguma responsabilidade e ele decidiu comprar uma planta. Ele sempre foi politicamente contra as plantas. Os motivos não são claros, mas segundo contam, dizia que as plantas estão a travar uma guerra silenciosa contra os humanos: aquela sua pacífica samambaia passa os dias a esperar que você morra e desapareça, para que ela possa tomar para si todo o seu apartamento. Aquele vasinho de amor-perfeito soltando folhas na chão da sala não está inocentemente curtindo o Sol de outuno, mas sim tentando fecundar o seu chão de mármore. É uma briga sutíl, mas constante.

 Ainda assim, decidiu comprar uma planta. Para tornar óbvio o conflito, optou por uma carnívora. Assim como as outras plantas, as carnívoras precisam de água e Sol, porém de tempos em tempos apreciam também digerir moscas. Assim como a grande maioria das outras plantas mantidas em cativeiro, ela finge completa dependência e submissão, requerendo assim cuidados semanais em um regime que pode ser categorizado como o de semi-escravidão voluntária amparado por sequestro emocional e de responsabilidade.

O relacionamento falhou miseravelmente. Em poucas semanas a planta faleceu. A causa mortis foi definida como inanição e desidratação aguda. Pelos cantos se comentava que a planta havia sido vista ainda saudável poucos dias antes, o que dava sustento à teoria de suícido com objetivo de incriminar o dono. Nada ficou provado. A sombra da morta se foi, permaneceu a da morte.

Meses depois decidiu-se por uma nova tentativa. Cansado dos jogos de guerra, optou por um cáctus. Assim como as demais plantas, os cáctus precisam de Sol e água. O que os diferencia de seus companheiros é que os cáctus não são plantas dissimuladas e se caracterizam pelas demonstrações do desprezo profundo que nutrem pelos humanos, através da quase total independência de água e da enorme quantidade de espinhos que possuem por todo o corpo. Acredita-se que era essa sinceridade e independência que ele buscava.

Em retrospecto, todos os sinais estavam lá. A planta ofensiva, as tentativas fracassadas de convivência com outros seres vivos, uma vida abundante em tragédias. Mas certas coisas, infelizmente, só são possíveis de se ver à distância. Os peritos estimam que ele chegou em casa por volta das oito da noite. O tempo estava quente e ele deve ter ido abrir a janela quando deu de cara com a planta e decidiu dar-lhe água pela última vez. A sua inexperiência com plantas e copos de água provou-se fatal. Ao terminar de despejar o copo no vaso, este começou a transbordar agressivamente. Ele correu em direção à cozinha, provavelmente em busca de um pano para conter o estrago. Na volta, não percebeu que a água já pingava pelo parapeito e se depositara em volume considerável pelo chão. Escorregou, tentou se apoiar na janela mas deu com a enorme testa no pequeno móvel da sala, que havia sido recentemente realocado para que a planta tivesse mais espaço.

Os vizinhos não deram por sua falta e ele só foi encontrado dezoito dias depois. A polícia não localizou o cáctus. No seu lugar, restava apenas um prato de vaso cheio d'água com um punhado de espinhos boiando.

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Thu, 03 Jun 2010 20:11:00 -0700 As verdades cenográficas http://fserb.posterous.com/as-verdades-cenograficas-0 http://fserb.posterous.com/as-verdades-cenograficas-0

Comi um pote de Häagen-Dazs cookies and cream. Você sabia que o Häagen-Danz foi criado em Nova Iorque? Eles fizeram uma pesquisa e descobriram que as pessoas associavam sorvete bom com escandinávia. Aí batizaram com esse nome pra parecer de lá. Também botaram essa parte preta no sorvete pra parecer biscoito, eu acho.

Antigamente falavam pra gente tomar muito cuidado com o que a gente via no cinema, porque não era de verdade, era tudo ficção. O Žižek disse que isso é bobagem, que o cinema diz exatamente o que a gente é só que ele não faz isso diretamente, faz pelas bordas. O Žižek tem nome de esloveno, com acento no zê e tudo. É esloveno de verdade, não é que nem o sorvete.

Hoje em dia, tirando o cinema e mais uma coisa ou outra, é tudo de mentira. Na minha casa tem um móvel que parece antigo, mas na verdade é só uma peça de madeira vagabunda de uma loja escandinava. A loja é escandinava mas eles montam os móveis na China. E não tem nada de antigo nele, é só um negócio que chama pátina. A vendedora explicou que pátina é como uma plástica pra móveis, só que ao invés de deixar o móvel novo, deixa ele com cara de velho, pra parecer que tem história. Disse também que isso era a última moda no mundo dos móveis vagabundos pré-fabricados. Queria ver se ela ia achar tão bacana se fizessem isso com os peitos dela.

Eu li que aquelas pesquisas que diziam que gordura faz mal estavam todas erradas e que o que mata mesmo é o açucar. Aí fui no mercado comprar a tal coca-cola sem açucar. Ela é feita com um negócio pra fazer você achar que tá tomando açucar, quando na verdade tá só tomando câncer. Decidiram que o açucar faz mais mal do que o câncer. Acho que é porque o câncer dá pra esconder, a barriga não.

Ninguém escapa. Eu também tenho as minhas mentiras. Isso mesmo que eu estou escrevendo pra você, pode vir a te dar a impressão de que eu me preocupo com o nome do sorvete, com o açucar da coca-cola e com o significado das coisas. Mas a verdade é que desde o dia do móvel eu só penso mesmo é nos peitos da vendedora.

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Tue, 01 Jun 2010 08:07:00 -0700 Sentidos http://fserb.posterous.com/sentidos-1 http://fserb.posterous.com/sentidos-1

Tudo tem um sentido, tudo tem um padrão. Um dois. Um dois.

O prato de macarrão caiu no chão. Tava trazendo da cozinha pra comer sentado na frente da TV vendo Daily Show. E caiu no show, no show não, no chão. Simples assim. O padrão. Hoje tive que acordar cedo. Pra ouvir a candidata que não sabe falar. Não tô falando de política. Presta atenção. A candidata não sabia falar direito, ficava murmurando alguma coisa sem nexo. Acho que ela pensa em murmúrios. Nada do que eu falava ela entendia. Tudo tem um sentido. Tudo tem um padrão. O chefe perguntou como eu estava. Eu falei. Bem vindo ao meu dark-side-macbeth-acm, baby. Você nem sabe quem foi o acm, né? Tudo tem um sentido.

Eu queria pagar as contas. Responder os emails. Convidar as pessoas. Comprar as passagens. Vou jogar essa merda desse prato de macarrão pela janela e limpar o chão com a meia do pé. Depois derramar coca-cola zero por cima. Aliás, que merda viver num universo em que exista coca zero. Um padrão. Um padrão. Tudo tem um padrão. 

Hoje eu combinei de falar com ela. Com horário marcado e tudo. Hoje em dia eu tenho essas coisas de horário marcado pra falar com ela. Ela tem horário e intervalo de horário e tem também o fuso horário que não é dela, é desse mundo. Maldito mundo com fuso horário. A gente combinou de falar hoje. Eu falei com ela hoje. Eu falei com ela hoje. Tudo tem um sentido, tudo tem um padrão. Nada é desconexo. Era só pra conversar mesmo. Ouvir a voz. Falar do dia. Fingir que eu estou na oscar freire. Tudo tem um sentido, tudo tem um padrão.

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